Tem uma garota de programa aqui na minha cidade, muito bonita, 19 anos, que se anuncia em um site. A cidade inteira parece já ter saído com ela. Durante meses, eu entrava no site, via as fotos e vídeos sempre atualizados, e sentia muita vontade de marcar um encontro — mas a coragem nunca vinha. Talvez timidez, talvez insegurança.
Até que, na semana passada, eu não resisti e marquei. Combinamos de nos encontrar em um motel aqui da região. Fiquei com a sensação de que eu era o único cara da cidade que ainda não tinha saído com ela.
No dia, cheguei antes, entrei no quarto e avisei pelo WhatsApp. Quando ela chegou, entrou e veio direto na minha direção. Com a mão direita, apertou forte meu braço esquerdo, olhou fixamente nos meus olhos e disse meu nome, perguntando: “Por que você demorou tanto para me chamar?”
O jeito que ela falou, o olhar… foi algo difícil de explicar em palavras. Tivemos o encontro, e, no final, ela ainda me deu um beijo e disse para chamá-la novamente quando eu quisesse.
Até aí, tudo bem.
O problema é que, três dias antes, eu tive um sonho muito intenso com uma cobra — uma cobra horrível, enrolada em si mesma, dando três voltas. Depois do encontro, quando cheguei em casa, me dei conta de que ela tinha uma tatuagem exatamente assim nas costas: a cobra enrolada em três voltas.
Na hora, fiquei em choque.
Fui direto conferir no site onde ela se anunciava, para ver se a tatuagem já estava nas fotos e eu não tinha percebido antes. E estava lá o tempo todo. Mas eu simplesmente não tinha notado.
Só percebi durante o encontro.
Desde então, não consigo parar de pensar nisso. Sinto um peso estranho, como se tivesse caído em algum tipo de armadilha. É como se eu tivesse perdido algo — uma espécie de pureza que eu nem sabia explicar que tinha.
Hoje, me sinto mal comigo mesmo. Fraco. Como se tivesse falhado de alguma forma.
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