[ / / / / / / / / / / / / / ] [ dir / random / 55sync / bleached / fit / k / kind / pdfs / sapphic / sl ]

/psyid/ - psicologia da identidade

nascidos do efemero

Catálogo

Learn more about the EARN IT Act, the latest attempt to gut Section 230
/fringe/ has been migrated.
Nome
E-mail
Assunto
Comentário *
Verificação *
Arquivo *
Senha (Randomized for file and post deletion; you may also set your own.)
Archive
* = obrigatório[▶ Opções e restrições de postagem]
Confused? See the FAQ.
Inserir
(substitui os arquivos e pode ser usado no lugar deles)
Voice recorder Show voice recorder

(the Stop button will be clickable 5 seconds after you press Record)
Opções

Tipos de arquivos permitidos: jpg, jpeg, gif, png, webm, mp4, pdf
O tamanho máximo da imagem é de 16 MB.
As dimensões máximas da imagem são de 15000 x 15000.
É possível fazer o upload de 4 arquivos por postagem.


File: 758d5d2ee157f0b⋯.png (2,5 MB, 1920x1117, 1920:1117, 1556546841441.png)

44d10b  No.372[Responder][Últimas 50 postagens]

Enquanto isso, para manter a board ativa, usarei este fio para compartilhar reflexões aleatórias que faço ou resumos e anotações dos livros que leio. Criarei um repositório em breve com os livros que baixo.

Acredito que existam alguns tópicos aos quais eu devo me dedicar para entender o que foi discutido:

- Psicologia analítica.

- Fenomenologia.

- Budismo (sua fenomenologia).

- Semiótica.

- Ontologia.

Estou lendo um livro introdutório de um dos estudantes de Jung, Jolande Jacobi, chamado "The Psychology of Carl Jung". Não tenho cacife para ler direto na fonte (o próprio Jung), e a desgraça do meu curso toma muito tempo. Também estou lendo um livro espetacular sobre filosofia budista chamado "Meditations on Emptiness", onde é feita uma investigação da noção do Vazio no Budismo, inclusive o Vazio do "Eu" e os modos como a mente se ilude nas próprias construções (percepções de relações entre coisas que são enganosamente entendidas como munidas de existência inerente), terminarei esse primeiro e postarei algo sobre em breve. Também comprei um livro introdutório do próprio Heidegger, chamado "Introdução à Filosofia". No meu pequeno entendimento, Heidegger parece ser quem me oferecerá o melhor "framework" para pensar o que estou intuindo, então farei uma força para entendê-lo. Nisso, serei obrigado a entender o restante da tradição fenomenológica.

Também voltei a meditar. Pensar sobre esses assuntos me deixa exausto, e envolve fazer análises da minha conduta e da minha história e esse é um processo deveras desagradável. No livro Meditations on Emptiness o autor reserva um capítulo para justificar o apego às Jhanas, estados mentais mais sutis que trazem algum bem estar e estabilidade mental. Esses estados são atingidos por técnicas meditativas mas não são um objetivo final, apenas ferramentas importante para meditações de Insight. Preciso de uma mente clara tanto para não me perder enquanto faço uma reflexão ou enquanto tento analisar um fenômeno (experiência), e para segurar um pouco o desconforto. O benefício é quase imediato, com não mais do que 15 minutos meditando.

A postagem é longa demais. Clique aqui para visualizá-la na íntegra.
166 postagens e 23 respostas com imagem omitidas. Clique em Responder para visualizar. ____________________________
Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

cf2b16  No.653

File: 66c7e5a9a5b6b3b⋯.jpg (997,87 KB, 3000x1705, 600:341, 1523150825899_1.jpg)

E para colocar a cereja no bolo: eu sou insuportavelmente orgulhoso e arrogante. Está difícil para eu mesmo me suportar, ao observar o quanto o meu orgulho me atrapalha de fazer as coisas. Cabe citar apenas minha postura na universidade, o quanto me dói conseguir algo menor do que 9 em uma prova, o quanto é importante para mim ser elogiado por alguma coisa, ter uma "reputação" entre os professores. Não fosse isso, não teria passado por uma crise tão pesada no período anterior, que se estende até agora, em que me encontro travando para fazer as atividades porque não consigo esperar de mim algo menos do que a perfeição, se é que posso chamar qualquer coisa que faço de "perfeita", outro sintoma do meu orgulho gigantesco, vendo valor onde não há.

"Por que eu me odeio tanto?" me pergunto de tempos em tempos - por ter razões para tal. "Por que estou tão só?", porque me afastei de tudo e todos, propositalmente, fugindo de algo: os elementos ao meu redor, lembretes das minhas vergonhas. Já troquei de cidade três vezes, e nas três ocasiões viajava com o sentimento de estar escapando de algo, deixando meus desconfortos para trás. Agora, me pego arquitetando não somente trocar de cidade mas trocar de país como condição fundamental para eu "progredir" nos meus planos, apenas porque aqui me conhecem demais, sabem muito sobre mim, podem descobrir os meus podres a qualquer momento, e aí me afasto e encontro algumas desculpas para me justificar.

Por que eu me odeio tanto? Por que eu mereço. Talvez eu seja tão orgulhoso e arrogante que até para me odiar eu exijo rigor, daí imponho em mim essa exigência. Não julgo as pessoas ao meu redor com o mesmo peso… julgo sim!

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

cf2b16  No.654

Não consigo dormir! Minha mente é uma completa catástrofe.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

cf2b16  No.655

Acho que foi tudo um grande erro, para começar eu ter tomado uma dose tão pesada de psicodélicos, sozinho e sem orientação para nada. Depois, ter passado tanto tempo pensando sobre estas coisas, e me exposto tanto, ter falado demais, feito demais, arrastado pelas minhas emoções. Me sinto um pouco ridículo com toda essa história do Demian, e ainda mais por ter ido até a minha professora, e agora com essa neurose do budismo. Nunca devia ter feito nada disso.

Estou cansado, não quero mais pensar. Não sei se retorno, tenho me incomodado comigo mesmo escrevendo essas coisas. Mas quantas vezes cumpri o que disse que ia fazer? Bem, de todo modo, não sei se quero continuar com isso.

Fica aqui meus agradecimentos por ter se importado em me ler, é muito gentil da sua parte. Foi uma brincadeira divertida no início.

Não conte para mais ninguém seja lá o que você teve.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

1cf14f  No.656

>>655

Estarei aqui ainda se voltar. Nos próximos dias, pretendo deixar uma resposta um pouco mais completa para essas últimas coisas que você disse.

Se não ler, ou não responder, tudo bem também.

Desejo sorte para ti.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

868943  No.657

File: bce32436acaff91⋯.jpg (11,31 KB, 225x300, 3:4, image.jpg)

>>655

Pare de pensar então, anão. Vá procurar diferentes ritos e métodos de meditação, crie uma prática e falhe dia sim dia não, crie um projeto para usar e aprender ml e pare na metade… Explore outras opções.

Eu nunca sinto que tenho muito o que dizer aqui, eu não sei bem como ajudar. Quase consigo ouvir o sentimento que você vai ter quando ler minhas palavras não escritas.

É verdade, a gente/a vida é toda essa merda mesmo, mas ela pode ser boa também, nos seus termos do que isso significa. E é pior ainda que isso seja verdade, porque a implicação é que você tem que aprender a viver no seu território (no seu corpo-mente) a ponto de poder sentir e materializar isso.

Na última vez que postei algo aqui foi sobre o blog do meditationstuff e o sistema hermético do franz bardon (volto a recomendar pelo menos o blog). O primeiro você ignorou, no outro só leu "hermeticismo" e decidiu que não era um caminho em que era possível se realizar. Você parece tomar conclusões com consequências eternas em uma passada de olho. Estou aberto a estar errado, estou dizendo isso porque reconheço o hábito em mim.

É mais fácil aceitar que não se conhece e esperar um pouco antes de reagir tão rápido a tudo do que continuar batendo a cabeça contra a parede do jeito que você vem fazendo (e libertador também), você não precisa se identificar com as suas conclusões, você não precisa resolver tudo agora, seu próximo passo não precisa ser o mais otimizado possível.

Um grande abraço, é do fundo do meu coração que digo que desejo tudo de bom pra você. Procure firmeza e estabilidade, é um grande passo nessa caminhada. Espero que não leve a mal meu comentário, mas a gente começou tentando resolver as coisas de ponta cabeça, sem chão pra pisar.

O resultado não vai ser bom mesmo.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.



File: 0946e9db483772e⋯.png (1017,79 KB, 1024x760, 128:95, 202025.png)

08f8f9  No.461[Responder][Últimas 50 postagens]

Olá, OP aqui.

Inspirado pelo nosso querido matemático, decidi criar um fio para utilizar de pequeno diário também, anotando quando me convir alguns pensamentos ou ideias. Nos parágrafos que colocarei aqui, às vezes responderei coisas que foram perguntadas para mim durante esses meses. Isso não quer dizer que ainda não participarei de outros fios. Sigo lendo e acompanhando o processo do matemático e achei que, mais do que só estabelecer apontamentos, poderia contribuir demonstrando mais de meus próprios processos no presente e dando abertura para que fosse comentado por outros.

Nos últimos meses, estive afastado da leitura enquanto resolvia sobretudo burocracias, demandas profissionais e questões familiares difíceis. Recentemente fiz anos e se pudesse descrever meu atual em um termo único, seria “nu”. Sinto-me em uma situação liberta de expectativas, pressões ou frustrações. Sinto-me vulnerável ao mesmo tempo que me sinto maduro o suficiente para aceitar tal estado. É um lugar de plenitude ordinária, em que me sinto em uma gratificação iluminada nos mais banais dos atos: ao lavar louça, ou caminhar pelo bairro, ou ver um filminho com minha mulher, ou divertir-me com minha cadelinha filhote.

Esta situação para mim é bastante curiosa porque quebrar as expectativas que tive durante toda a minha vida a respeito de quem seria, ou de para quais caminhos me desenvolveria. Isso me leva a alguns dos motivos que me levaram a me afastar um pouco dessa board:

Primeiro, percebi que minha ausência parecia ter sobre o matemático um efeito de “silêncio de analista”. Quando eu não intervinha tecendo comentários que poderiam ser percebidos como aprovação ou reprovação (mesmo que não o fossem), dava espaço para que seguissem seus processos livres, descobrindo novos níveis por si mesmos. Observar sem intervir me pareceu uma decisão cada vez mais acertada.

Segundo, de fato minha vida está muito corrida. Ganhei uma estagiária no final de janeiro de tanto que estava trabalhando, mas também ganhei uma pós-graduação e uma vaga de assistente de TCCs que estão consumindo muito do meu tempo.


Terceiro, nos períodos de descanso que tive (que foram poucos), acabei A postagem é longa demais. Clique aqui para visualizá-la na íntegra.

73 postagens e 3 respostas com imagem omitidas. Clique em Responder para visualizar. ____________________________
Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

3cf1b2  No.629

>>628

Ainda estou aqui. Quando puder, pretendo fazer um novo desses textos que ando fazendo, falando de uma questão quase metalinguística: a dificuldade de encontrar a maneira certa de expressar certas coisas e as motivações (ou falta delas) para fazê-lo.

>perdi um pouco do momentum que tinha em relação às minhas investigações

>devo ficar em silêncio com mais frequência

Talvez isso seja bom. Espero que esses silêncios lhe sejam igualmente proveitosos. Quando tiver algo a dizer, estarei aqui para escutar.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

655027  No.630

>>629

>Talvez isso seja bom. Espero que esses silêncios lhe sejam igualmente proveitosos

Parece que eu vou quebrar ao meio.

Não sei apontar quais os fatores para eu me sentir assim, são muitas coisas na minha mente. Sinto um apego à erudição, acho-o tolo, já não me lembro de quase nada que li nos últimos anos, são poucos os livros que nos marcam. Ademais, fazendo um trabalho da faculdade, envolvendo alguns autores clássicos da Sociologia e da Filosofia, não podia deixa de pensar "e quem se importa com o que essa gente diz?". Perdi a fé no intelecto, mas ainda tenho alguns apegos, coisas que gostaria de ler, como Jung, mas sei que não chegaria em lugar nenhum.

Curiosamente, tive a curiosidade de jogar o I-Ching, e ele disse para eu me livrar de tudo que não fosse essencial.

Estava lendo sobre meditações ainda. A realização da prática de Dzogchen exige uma outra, Shamatha, e a estabilidade em absorção meditativa profunda por pelo menos 4 horas. Isso exige alguns anos meditando 12, 14 horas por dia e, no dia a dia, creio que eu conseguiria manter umas 4-6 horas por dia. Teria que abrir mão de quase todo o resto, entretanto. Teria que abrir mão de muita coisa.

E o que eu ganharia em troca? E se fosse possível entrar totalmente consciente naquele mundo bizarro que vi com os psicodélicos? E se fosse possível explorar conscientemente esse mundo onírico?

Existem níveis de absorção meditativa, e é possível, dentro de cada um deles, "pensar" tal como pensamos agora. Por exemplo, induzir pensamentos, ir para o passado e o futuro. Mas "lá em baixo" certamente o tipo de coisa que aparece difere do que experimentamos qui.

E esse ente inacessível e inominável, atrás de todo pensamento? Estava ouvindo algumas aulas do professor Alan Wallace, ele falando sobre uma das práticas do Dzogchen. O sujeito se estabiliza em concentração profunda dirigida à mente em si (como o pessoal do Zen faz), e faz um "movimenA postagem é longa demais. Clique aqui para visualizá-la na íntegra.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

655027  No.631

>>630

Leio o que escrevi e acho meio idiota. Como posso mudar de opinião tão rápido? O que é que está acontecendo comigo, afinal?

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

91d9be  No.634

>>630

>parece que eu vou quebrar ao meio.

De novo, talvez isso também seja bom.

>mas ainda tenho alguns apegos, coisas que gostaria de ler, como Jung, mas sei que não chegaria em lugar nenhum.

Eu acho que o problema é muito menos um “não chegar a lugar nenhum” e sim um “não chegar ao lugar em que queria chegar”. A partir de qualquer ato, você provavelmente chegará a algum lugar. Mas esse lugar não necessariamente é aquele ao qual você esperava chegar, especialmente quando a expectativa é mítica.

>tive a curiosidade de jogar o I-Ching, e ele disse para eu me livrar de tudo que não fosse essencial.

Talvez seja um bom caminho para o seu momento. A questão é conseguir estabelecer o que é essencial de fato para você. Isso é mais difícil do que parece.

>teria que abrir mão de quase todo o resto, entretanto.
>teria que abrir mão de muita coisa.

Talvez você pudesse investir em caminhos menos dramáticos. Para mim, parece muito apaixonado (logo, muito desesperado e, consequentemente, também muito mítico) que alguém que, como você mesmo descreve, até pouco tempo era um “ateuzinho”, decida virar sua vida do avesso tão subitamente para se dedicar exclusivamente a um caminho de meditação.

Veja bem, o que questiono aqui (e que sempre questionei, na verdade) não é a atividade da meditação, nem seus possíveis benefícios. O que eu questiono é o apelo, a atração que você sente por isso, que são necessariamente míticos, essa expectativa de se solucionar por esse caminho, de encontrar algum clímax narrativo no desenvolvimento dentro de uma hierarquia (também mítica) de degraus dentro de um processo de “iluminação pela meditação”. Parece para mim um apelo compensatório (Jung explica esse processo) intenso essa sua vontade de virar a mesa, de largar tudo para ir atrás de outra coisa. Nesse ponto, acho menos problemático o “largar tudo” e mais essa “outra coisa” que você acredita que pode encontrar.

>e o que eu ganharia em troca? 
>e se fosse possível entrar totalmente conscieA postagem é longa demais. Clique aqui para visualizá-la na íntegra.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

91d9be  No.635

>se você teve isso sentado na calçada (e não está me enganando), deve ter sido um anão meditadeiro em alguma outra vida

Não estou te enganando, mas é importante você considerar o que está projetando em mim nesse “isso” que coloca na frase. O “isso” que eu tive foi algo que mesmo eu, quem experimentou, costumo ser muito humilde ao tentar definir ou compreender. Não me satisfiz em declarar uma definição espiritualista, religiosa, psicológica e muito menos de iluminação oriental. Meu “isso” foi minha experiência e minha experiência somente. Ela não tem sinônimos, por mais tentador que possa ser estabelecer paralelos, ou ver ecos de uma experiência em outra. Nada garante que o “isso” sobre o qual eu falo é necessariamente o memo “isso” da experiência de Buda, ou de um guru de qualquer coisa. Podemos até, por alguma ironia da estrutura linguística, usar palavras semelhantes para falar de experiências que são completamente diferentes. Dando um exemplo bobo, todos podemos falar “inominável”, mas a experiência inominável de um certamente será bastante distinta da de outro.

>eu estou acreditando em reencarnação, céus!

E daí entra a projeção, outra vez mítica, de que porque eu pareço tão inserido no mito que você está construindo ao redor da meditação, eu preciso ser vinculado com ele de alguma maneira, sendo um “anão meditadeiro”, uma reencarnação de qualquer um da cultura em que você quer me tornar sinônimo. Você já conhece o suficiente sobre mim para saber que eu não passei anos praticando Dzogchen, não larguei tudo para passar o dia todo meditando, nem me sinto necessariamente conectado com Buda. Ainda assim, porque a força de Buda parece tão atraente para você enquanto mentoria, parece que é fundamental me vincular a ela de alguma forma, mesmo que seja a mais inconsciente e erótica possível.

>acho que vou seguir o I-Ching e focar no essencial: estudar só matemática, computação e línguas para ter como ganhar algum dinheiro trabalhando remotamente e meditar o resto do tempo livre
>vou morrer virgem, céus
>poderia ler alguma coisa ou outra para ter um arcabouço simbólico para narrar o que eu encontrar nas minhas aventuras. 
>deve ser esse o meu salto para a loucura
>aparecerei no próximo Wild WiA postagem é longa demais. Clique aqui para visualizá-la na íntegra.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.



File: da921f1f1fae8b7⋯.jpg (62,32 KB, 734x418, 367:209, 464567.jpg)

be3d42  No.397[Responder]

Olá, meus já queridos companheiros.

Este fio é uma carta aberta para todos. Estive refletindo sobre nosso futuro e o desta board. Para algumas questões, tenho respostas. Para outras, por envolver também a vocês, é necessário que todos nós construamos um consenso.

Gostaria de começar falando um pouco sobre mim, sobre minha relação até agora com esta board que mantemos, sobre porque imagino que nosso formato precise mudar e sobre porque este talvez seja meu último texto minucioso.

Estamos juntos aqui já faz mais de um ano. Nesse tempo, conseguimos perceber algumas coisas uns sobre os outros. Relendo meus antigos posts, percebo claramente três pontos sobre a dinâmica que tive com este lugar em relação com minha vida e que todos devem ter percebido:

1. Minha vida vem sendo bastante corrida e imprevisível. Muitas vezes atrasei minhas promessas de respostas por conta disso. Os intervalos entre um texto meu e o próximo foram e seguem sendo longos. Raramente consegui respondê-los dentro do prazo que estipulei.

2. Tentei ser bastante minucioso em minhas respostas sempre que possível, o que vai contra o ponto anterior. Minhas respostas foram longas, mas escritas de forma corrida e sem revisão. Tive frases confusas que não teria se pudesse escrever com calma. Imagino que o que os interesse no que falei até aqui tenha sido o conteúdo, não a forma. Mas a forma que escolhi para me expressar também comunica certas coisas.

3. Tive dificuldades para encontrar uma posição com vocês em que me sentisse confortável e muitas vezes, por consequência disso, tornei-me rígido. Desde que estamos aqui, todos os títulos que me deram (fosse relacionado com meu trabalho, enquanto “cara do google”, ou a uma de minhas referências, no caso de Jung, ou, mais recentemente e especialmente, enquanto visto como Demian) me desagradaram. Ao me preparar para a escrita disso, tentei preparar algum nome que fosse me agradar, pensando em pedir que vocês me chamassem por ele. Depois de certo esforço, percebi que nenhum nome ou título me agradaria porque nenhum deles, fosse qual fosse, faria com que me sentisse representado. Para mim, esta é uma boa posição. Portanto, não terei maA postagem é longa demais. Clique aqui para visualizá-la na íntegra.

6 postagens omitidas. Clique em Responder para visualizar. ____________________________
Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

e06e42  No.404

Acho que não mudaria muita coisa na nossa interação, além da segurança de não perdermos o contato, e seria realmente melhor mantermos por aqui nossos textos mais longos, para fins de organização e se por um acaso algum transeunte achasse a board. Gosto de escrever e compartilhar o que escrevo então não me importaria de continuar trazendo esses conteúdos para cá, espero ser mais metódico nos meus estudos, escrevendo reflexões e resumos mais detalhados que também poderia trazer para cá. Dificilmente tornaria qualquer uma dessas coisas públicas (vinculadas à minha identidade real) mesmo se me envolvesse profissionalmente com algum conteúdo.

A estrutura do imageboard é mais fácil de gerenciar do que um fórum de fato, além de ser mais compacta, a não ser que exista alguma plataforma simples que eu não conheço. Então prefiro manter a board, fazendo backups do seu conteúdo que seria transferida para algum outro chan no caso em que o 8kun saísse do ar. Existe ainda o Reddit, que eu uso com frequência e é menos provável de sair do ar, tal como é mais provável de alguém encontrar nossos textos, gostar e acabar ficando, mas o terceiro malefício mencionado seria acentuado.

O Discord pode ser melhor para compartilhar pensamentos rápidos e também algum artigo, vídeo, filme, música (eu adoro compartilhar e receber músicas) etc. interessantes. Não vejo nenhum impedimento de torná-lo em uma conversa sem fim, ou levar adiante algumas discussões menos complicadas por lá, mas a interface do software não é amigável para textos muito longos como os que fazemos aqui, não dá para fazer quote nem nada.

Em síntese, acho que podemos formar o grupo no Discord para interação casual recorrente, mantendo nossa interação atual por aqui para textos mais longos e migrando para outro chan ou para o Reddit, havendo a necessidade.

Ressalto respeitarei qualquer decisão que tomar e caso queira manter sua privacidade, estarei totalmente de acordo.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

e06e42  No.405

File: b83f9d3a4bcb72d⋯.jpg (1,31 MB, 2611x1545, 2611:1545, wallhaven-q6mgjq.jpg)

Cheque o email, anão.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

b08515  No.407

File: 3ce2509e7ce7e0a⋯.jpg (526,56 KB, 500x626, 250:313, 404346_2405083898931_16061….jpg)

Sopa anões, "pupilofag" aqui.

Eu sinto já há algum tempo que o anão matemático sempre destrincha muito bem o que eu acho e não foi diferente dessa vez. Existem óbvia diferenças (óbvias pra mim, que sou eu) entre eu e ele, claro. Principalmente na maneira como aparentemente nos constítuimos socialmente, mas em muitas outras coisas me identifico. A maneira como constituí minha relação com o "anão do google" (kek) também é diferente, mas o objetivo de aprender a formar relacionamentos horizontais é bastante similar.

Também não me importaria em migrar para outro meio de comunicação, mas deixo e ressalto aqui a frase de McLuhan: "The medium is the message". Um meio novo trariam consigo novos significados para o nosso relacionamento. Apesar disso, o que vocês decidirem está bom para mim, seja Discord, seja um fórum (inclusive tenho uma hospedagem paga, só não ofereço ainda porque talvez ela ainda não seja pra sempre, visto que ela existe por causa de um projeto que comecei que parece estar no fim da vida).

Quanto a quebrar o anonimato, eu realmente não me importo. Digo, respeito profundamente o espírito e a cultura do chan, pois foi esse lugar que muito me trouxe ao longo da vida e parece trazer mesmo agora que já o "abandonei". É quase como se esse espírito estivesse intrincado na minha pessoa, então não entendam mal quando digo não me importar com isso. Adoraria, como disse o anão matemático, ler os textos publicados do OP. Minha vida acadêmica está (re)começando agora na psicologia e estou certo de que o que discutimos aqui será a minha área por, pelo menos, bastante tempo (se não para a vida toda).

É isso que tenho a dizer, o que quer que seja que vocês decidirem, estou preparado para agir nesse sentido.

Meu e-mail pseudoanônimo é: psukhopompos3@gmail.com

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

5b6e85  No.408

File: ed25262c1068d79⋯.jpg (24,92 KB, 400x400, 1:1, v208xfop1la11.jpg)

Estou me fazendo parecer um batata carente.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

b08515  No.412

>>408

Topkek. Não está não, anão. Vejo você como uma pessoa sistemática.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.



File: 475836fc8d94364⋯.png (3,11 MB, 1920x1080, 16:9, 1525121690724.png)

c6ca59  No.371[Responder]

Consegui recuperar a board! Aqui é o anão matemático.

Ao Demian (vulgo "cara do google", te apelidei carinhosamente de Demian), deixo aqui minha mais profunda gratidão pelas conversas, elas mudaram minha vida (ou melhor, puseram em curso uma mudança). Pretendo seguir pensando nestes assuntos e levando adiante as mudanças, na medida da minha capacidade de dedicação. Elas têm um custo emocional bastante grande e as vezes é muito difícil fazer isso sozinho, não tenho com quem discutir, então gostaria de pedir a tua ajuda.

Venho tentando te encontrar desde que o 8ch caiu, vasculhando as dissertações de todos os departamentos de psicologia que consegui encontrar em regiões próximas a algum escritório da Google. É difícil porque os sites desses departamentos e as páginas de acesso das dissertações são todas um lixo. Não encontrei nada, naturalmente.

Se estiver disponível para isso, tenho uma vontade imensa de conhecê-lo ou ao menos que possamos manter contato por uma mídia mais estável e ágil do que o chan, como o Discord, ou mesmo por email. Deixo aqui um email (editado, não é meu email verdadeiro) para que possa me contactar caso veja essa mensagem. Com o contato, posso enviar algo que comprove que não sou um maluco qualquer (algo que comprove meu vínculo com a matemática, por exemplo). A impermanência é implacável e tira de nós tudo que pensamos que temos, mas eu gostaria de me iludir um pouco mais, é muito difícil encontrar alguém com quem possa conversar e aprender de maneira tão profunda, e tenho minhas dúvidas de que encontrarei tão cedo alguém como você, então eu desejo ardentemente que possamos estender essa conversa tanto quanto for possível.

Caso seja feito um discord e ainda existam outros anões por aí, poderíamos formar um grupo. Em todos esses anos chafurdando em chans, isso foi definitivamente a única coisa genuinamente boa que eu encontrei.

9 postagens omitidas. Clique em Responder para visualizar. ____________________________
Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.
Última edição em

957d61  No.385

>>383

Obrigado por compartilhar, anão.

>Me perdoem pelo clichê, mas sinto que somos kindred spirits. E não tenho vergonha, mesmo sabendo da secularidade de vocês, de digitar o que eu digito.

Não sou mais tão cético e ateu quando um dia fui, mas mesmo no meu secularismo compreendo o que você quer dizer, e na realidade sinto a mesma coisa. Também acho um tanto extraordinário o nosso encontro, por ser tão pouco previsível e por ter saído de um lugar tão pouco provável quanto o /b/ do 55chan. Uma gigantesca e oportuna coincidência, pois poderíamos facilmente passar despercebidos uns pelos outros. Na verdade, acho que já até ofendi o camarada do google em algum fio, pela similaridade dos seus escritos, e provavelmente já te ofendi também.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

4b58b4  No.389

Estou tão triste, anões. Queria entender porque falhamos tanto com nós mesmos. Que mecanismo é esse que as vezes nos arrebata e nos leva por caminhos que nem mesmo queremos?

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

88e16d  No.390

>>389

O que aconteceu, meu caro?

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

9ee59e  No.391

>>390

Fui infiel, anão. A minha pitanga foi tudo que pedi a Deus por tanto tempo. E agora que estava tudo encaminhado, ajo dessa forma. Não sei bem como agir daqui pra frente. Estou completamente descrente em mim e nos meus caminhos.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

4faa1a  No.392

>>391

Para você ver como somos estranhos a nós mesmos, quão incompletas são as representações que tomamos de nós mesmos.

Eu respeito a monogamia, apesar de achar que é só mais uma construção arbitrária de relação entre sujeitos. Não acho que trairia uma namorada por respeito ao apego que ela porventura teria à relação monogâmica, mesmo sendo um completo depravado. E eu não me sentiria tão ofendido caso sofresse uma traição, na expectativa de que aquela fosse uma relação monogâmica. Mas quero dizer que acho que não tem problema. Ela sabe? Se não, não acho que precisa se culpar. Use esse momento para pensar com mais profundidade sobre quem você é realmente.

Penso eu que a descrença na realidade revela a imperfeição inerente das construções que fazemos. Todo ideal de "eu" e qualquer caminho é como um cobertor curto, você puxa de um lado para descobrir do outro. Nesses últimos meses, tenho pensado que jogar o cobertor fora e se acostumar a dormir sem é uma solução possível, mas uma outra é puxar o cobertor de um lado para o outro conforme sente frio, tendo consciência de que ele não vai cobrir tudo, portanto eliminando a decepção de sentir frio mais uma vez na parte que deixou descoberta.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.



File: e3f89a9ad3eec0f⋯.jpg (60,56 KB, 376x750, 188:375, f81328841fde777a0e9d8ec0a2….jpg)

d5c333  No.2[Responder][Últimas 50 postagens]

Thread de perguntas ao OP.

263 postagens e 22 respostas com imagem omitidas. Clique em Responder para visualizar. ____________________________
Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

771cd0  No.367

>>366

Olá, OP. Farei considerações sobre seus comentários em breve, também estou um tanto ocupado com meus afazeres da faculdade.

Gostaria de perguntar algumas coisas, entretanto.

Você fala, em alguns momentos, sobre não identificar-se com uma ou outra coisa e optar por abraçar ambas, tornando sua vida mais rica. Compreendo o apelo desta ideia mas por que não poderíamos vê-la como um mito também? Abraçamos aquilo que escolhemos dentre o conjunto de coisas que se apresenta para nós. Posso pretender abraçar, ou aceitar, o que quer que seja que apareça para mim mas isso não é, em nenhum sentido objetivo, melhor do que escolher algumas coisas apenas.

Um exemplo com música, já que como analogia ela me é mais útil para pensar no assunto. Músicas para mim estão muito associadas com experiências, num sentido mais abstrato, "modos do ser". Ela me faz transitar de um modo ao outro. Tendo a ouvir alguns gêneros que refletem mais precisamente os meus tons, mas me permito apreciar modos distintos do ser ouvindo gêneros diferentes. Digamos, saio de death metal para um piano solo doce e morno, daí para hip hop, etc. Poderia argumentar, como já o fiz algumas vezes, que melhor seria ser eclético e assim experimentar tudo o que a música pode oferecer, pois gênero nenhum abraça todas as possibilidades do ser e transmite tudo o que é possível sentir, e poderia buscar ser assim em minha vida.

Mas isso é falacioso quando observo que sempre haverão gêneros negligenciados. Posso argumentar a favor do Funk, posso cogitar ir a um baile funk, caso me convidem, posso ouvir Funk sem reclamar em algum local em que eu esteja, caso toquem, mas em minha casa dificilmente colocaria funk para tocar. É falacioso ainda porque quando concebo a intenção de abraçar todas as coisas, já crio um projeto e, na verdade, capo o impulso genuíno de ouvir música pela experiência em si. As vezes passo muitas semanas ouvindo só metal, depois passo muitas semanas sem ouvir nada de metal, e só escuto música ambiente, e assim vai, não preciso pensar que "agora eu tenho que parar de ouvir X para ouvir Y".

A postagem é longa demais. Clique aqui para visualizá-la na íntegra.
Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

61c2e6  No.368

Opa, estou de volta. Já faz mais de um mês desde que postei, não notei o tempo passando.

Estou bastante ocupado com as disciplinas deste período. Está sendo um dos mais difíceis até então. Curiosamente, estou em um estado oposto ao do período anterior, em que estava deveras deprimido, desmotivado e estressado. Ainda ando estressado, um tanto emotivo, como é meu estado usual, mas não desmotivado.

Não tenho certeza o que houve. A ideia de que o Ser justifica a si mesmo me deu alguma tranquilidade. O Ser se justifica instantaneamente, pela experiência do Ser; não há uma ação de "justificar-se". Daí que qualquer estado do Ser (e possibilidade do ser humano) é válida em si mesmo. Posso viver simplesmente, e isso não significa esgotar as possibilidades do Ser mas deixar que um estado seja sucedido por outro, pela arbitrariedade do mundo e em função do que me convém naquele momento, como escolher músicas para ouvir.

Não conseguiria abandonar o projeto da SpaceX agora. Não sei nem se quero, tenho algum talento para isso. Na verdade quero, mas não o faria agora. Pode ser que faça um dia, pode ser que não. Pode ser que um dia eu me desenrole de todos estes mitos, pode ser que não. Não me agrada também entrar (agora) em uma longa e incerta jornada rumo à iluminação, trocando um cigarro por outro.

Sinto-me livre, na verdade, e autônomo, a despeito das minhas inseguranças e paranoias. Talvez eu só tenha encontrado uma justificativa pessoal para continuar com minhas coisas (como você havia dito certa vez, sobre minha identidade ter encontrado uma forma convincente no meio de uma das minhas trips de cogumelos), e a liberdade é ilusória - não acho que que seja proveitoso entrar nessa dúvida circular.

Certamente compensa aparar algumas pontas. Certas dores são absolutamente gratuitas. E queria mais tempo para fazer arte, ou ler. Matemática o tempo inteiro é nauseante.

> Já estamos aqui há mais de um semestre, não é curioso?

De fato. Já estava de saco cheio de chans em geral, tanto que fora este, já não visito mais nenhum. O chan concebe uma estrutura A postagem é longa demais. Clique aqui para visualizá-la na íntegra.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

61c2e6  No.369

>>351

>Parece para mim ser uma saída pela tangente essa definição pelo “não ser”

Eu não defini a alternativa como "não ser". Na realidade, compreendi que o "não ser" é também uma concepção. É a concepção do ser que não é nenhuma outra coisa. É, digamos, um conjunto que contém o conjunto vazio. O conjunto que contém o conjunto vazio não é vazio, ele contém um elemento - o conjunto vazio. O conjunto vazio em si é alguma coisa, qual seja, o conjunto que não contém nada.

>quando não se é nenhum dos edifícios, o que se é?

Se é.

Eu posso pensar em uma caracterização do Ser como uma caracterização matemática, em que um ente abstrato existe efetivamente no sentido em que consigo dar a ele um nome e uma propriedade, como o conjunto vazio. Eu sou quem faz a definição. Posso ficar nesse processo circularmente, a não ser que haja uma saída que não estou vendo. Em decorrência disso, me parece que tentar confrontar o Ser por meio de abstrações é uma tarefa fadada ao fracasso. As abstrações são úteis, elas podem delinear o que pode ser, como fumaça se agregando em torno de uma forma invisível. Mas o Ser em si é, talvez, algo que se É, que se percebe na própria experiência, uma camada atrás daquela que traduz o que se percebe em conceitos e palavras.

Um exercício curioso que aprendi a fazer há algum tempo, e que talvez não tenha mencionado por aqui, é o de ir questionando as intenções da minha fala. Me pergunto o que exatamente quis dizer quando falei algo em dada situação, porque escolhi certas palavras, etc. Posso encontrar interesses inconscientes aí (como ter escolhido dada palavra para causar um efeito específico na outra pessoa), mas invariavelmente chego em um ponto em que não encontro mais respostas. Estranhamente, não sei sequer explicitar o significado que compreendo daquela palavra. Talvez, quem sou está daí para trás.

>Acredito, porém, que talvez a própria mente contenha um fundamento da matemática (ao menos a partir da forma como ela é percebA postagem é longa demais. Clique aqui para visualizá-la na íntegra.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

61c2e6  No.370

>>352

> Tento me referir a um presente, de novo, do ato enquanto ponto, que é em si mesmo, sem ser inserido na narrativa causa-consequência (que também é mítica).

E por que você acha que isso é possível?

>inb4 porque eu vivo desse jeito

Quero dizer, o mundo não se revela para nós de maneira discreta (um momento, ou evento, de cada vez). A experiência do Ser parece se estender de maneira contínua no tempo e no espaço. Carrego comigo o que me ocorreu, e também penso no que virá a ocorrer, aqui ou há quilômetros de distância. Enquanto escrevo, outro pensamento pode cruzar a minha mente, sobre algo que tenho que fazer, algum problema matemático sendo processado no background, alguma memória engatilhada.

Eu posso ver como o instante seria justificado em si mesmo, como no exemplo da música. Mas ouvir música pode ser isto (desapegada), e pode não ser. Posso ouvir uma composição para estudá-la com a finalidade de me melhorar enquanto músico. Isto não é válido? O ponto, a experiência que se justifica por si mesmo, apenas se estendeu: de ouvir música para "Ser músico".

Nesse sentido, a ideia da coexistência me parece mais coerente. Na verdade, parece fazer mais sentido ser mais flexível em qualquer entendimento. Há sempre a possibilidade de ser "também", não só uma ou outra coisa.

>E isso não precisa necessariamente engoli-lo.

>É exatamente isso. Melhor é tão frágil, tão subjetivo.

Tenho me sentido mais dessa forma. Ainda preciso encontrar, entretanto, de onde vem a insegurança que me faz perceber o Outro (e o que vem Dele, por consequência) de forma tão animosa. Isso tende a me forçar a entrar em casulos narrativos.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

358c2b  No.374

Acredito que as suas perguntas já estejam antiquadas, anão, mas mesmo assim gostaria de responder aquilo que você me perguntou há tanto tempo, por acreditar que existem alguns pontos interessantes naquilo que foi dito.

Antes de tudo, gostaria de dizer que parece para mim incrível que nosso contato já dure tanto tempo como vem durando. Não acreditei que isso fosse acontecer quando, sem muitas expectativas, decidi criar uma thread lá em 2018 para contar um pouco sobre meus estudos.

Existe um duplo aspecto nisso e, como falei do positivo, quero citar também meus desagrados: incomoda-me reler o que já disse e perceber a distância, tentando me encontrar nas minhas pegadas. Quando agrada-me o conteúdo, incomoda-me a forma; quando incomoda-me a forma, agrada-me o conteúdo. Não há muitas frases do que discutimos até então que eu não gostaria, hoje, de expressar de maneira diferente. Mas aceito, resoluto, esta condição. Gosto de compartilhá-la porque você que me lê, acredito, tem direito a saber de quão pouco sólido me percebo sendo.

Isso é acentuado sobretudo porque o último ano foi particularmente cheio de eventos em minha vida. Transformei-me profunda e intensamente, de maneiras que acreditava, do alto de minha soberba, que não viria mais a me transformar durante a vida adulta, que entendia como um momento de assentamento estagnado.

Agora vamos aos retornos. Vou começar hoje e continuar na próxima semana.

>>367

Esta é uma provocação rica e importante. Torcia para que comentários assim aparecessem hora ou outra.

>em alguns momentos, sobre não identificar-se com uma ou outra coisa e optar por abraçar ambas, tornando sua vida mais rica

De certa forma, trata-se de um calabouço linguístico. Quebrar a identificação não é, na realidade, abraçar ambas, mas desvincular-se de ambas, e o abraçar é um método, mais do que um objetivo. Além disso, a ideia de “mais rica” é questionável e mítica.

>compreendo o apelo desta ideia mas por que não poderíamos vê-la como um mito também?

Ela é e tentei deixar isso claro desde o princípio, incluiA postagem é longa demais. Clique aqui para visualizá-la na íntegra.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.



File: b3b91000acb5be0⋯.jpg (227,39 KB, 900x900, 1:1, 1540608932509.jpg)

a1ae8e  No.6[Responder][Últimas 50 postagens]

Anão mestrando em psicologia da persuasão, publicitário e que trabalha com a estrutura de análise do Google Ads aqui. Vim formular alguns pensamentos que podem ser úteis para alguns anões.

A identidade é uma estrutura extremamente erotizante, no sentido em que busca conectar a si mesma, extremamente disforme e vaga, com a concretude que percebe em objetos externos.

Quando nos identificamos com representações (sejam palavras, conceitos, imagens, reflexo no espelho), estamos gerando alívio terapêutico para essa identidade que busca vincular a si mesma, enquanto terreno, com mapas que possa observar.

O grande dilema da identidade é a incapacidade desta identidade ser observadora de si mesma enquanto objeto, o que nos leva a projetar a identidade em objetos externos para tentar observá-la. Somos viciados nesse processo de tentativa de significação, de busca de um gêmeo exterior ao caos inconcebível que somos, porque construímos sentido somente a partir do acervo que compilamos de externalidades associadas, não dessa identidade que, essencialmente, nada significa.

A própria leitura que você, anão, decidiu fazer desses meus parágrafos, foi na busca de associar de maneira mais efetiva certos conjuntos de palavras e ideias com a sua existência, encontrar algum comportamento definido que possa tornar sua identidade algo mais conhecido. Nomes e palavras, no geral, bem como os sistemas sociais, ideologias políticas, nichos, publicidade, sistemas abstratos absurdos como a astrologia e a própria Internet, servem todos à função de tentar tornar mais convincente, profunda e impactante essa ilusão de identificação.

É esse um dos motivos de imageboards serem, culturalmente, vistos como algo tão repugnante. Algumas religiões (no cristianismo, as protestantes mais tradicionais) abominam a representação da divindade em imagens ou palavras (sendo o nome original de Javé uma corrupção a partir de um conjunto de signos que supostamente devia ser impronunciável); este deus que construímos representa de forma mais profunda o comportamento natural da nossa própria identidade (o que, para ateus, pode significar que projetamos a natureza de nós mesmos, enquA postagem é longa demais. Clique aqui para visualizá-la na íntegra.

67 postagens e 6 respostas com imagem omitidas. Clique em Responder para visualizar. ____________________________
Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

a1ae8e  No.140

>>84

Descobri no que trabalhas: é para o Steve Bannon.

O momento em que o "sistema foi funcional" foi na ditadura militar.

Ajudastes a eleger o gibeiranaro.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

a1ae8e  No.141

>>140

Não trabalho para o Bannon, mas aplico o mesmo tipo de lógica e tecnologia, para fins mais comerciais mesmo, menos políticos.

Posso até ter afetado a eleição de algum jeito, mas minha intenção foi só a de vender quinquilharia.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

a1ae8e  No.142

Ótimo bump. Depois de tudo isso falado.

Questão, caso haja um caminho para a iluminação ou salvação, ou conexão com o universo. Temos que sumariamente nos controlar.Já reparei isso, seja qualquer viés.

Me lembra muito o budismo, e que o mundo é sofrimento. E que o buda atingiu a desencanação plena (sei lá) quando venceu o ultimo pecado contra a vaidade apresentada diante dele por um "demônio" o tentando a dar valor a sua própia iluminação, ele negou e venceu.

Então se é para perguntar para o OP, você teme um Deus que pune aqui ou na procima vida. Por que eu costumo disser que isso me pode de diversos pensamentos que considero horríveis. Hum.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

a1ae8e  No.143

>>142

Cheguei a comentar isso na board que criaram, mas vou aproveitar para fazer mais alguns apontamentos.

Eu já percebi que existiam certos paralelos entre os conhecimentos seculares de identidade (a partir de linguística, filosofia e psicologia) que possuo e os ensinamentos budistas, mas com o tempo distanciei mais minhas visões das budistas e vou dar alguns exemplos de onde a partir do seu post

>haja um caminho para a iluminação ou salvação, ou conexão com o universo

Qualquer "caminho" para qualquer coisa pressupõe um roteiro mítico, um mapa para um terreno, logo uma representação de terreno. Eu não acredito que exista um caminho para qualquer coisa, como não acredito que a identidade sem identificação seja "iluminada" (porque esta também é uma identificação) e nem conectada com o universo (porque este também será um reflexo); a identidade autônoma e livre de mitos é aquela conectada consigo mesma, ontológica, redundante.

>temos que sumariamente nos controlar

Com isso concordo (no sentido em que a identidade tem a tendência a buscar identificação), mas controlar para quê? Para parar de se identificar ou para se adequar ao mito budista, para se identificar com a espiritualidade oriental?

>que o mundo é sofrimento

Com essa parte do budismo eu nunca me senti próximo. Não me vejo na posição de soberba de garantir que o mundo seja ou deixe de ser exclusivamente nada, nenhum adjetivo, nome ou conceito. O mundo é. Não me cabe exaltá-lo, mas também não me cabe demonizá-lo.

>tentando a dar valor a sua própia iluminação

Esse é o sentido em que mais estive próximo do budismo. Mas nunca construí a visão mítica de uma "exaltação à horizontalidade" que há em Buda, onde se purifica da existência a hierarquia e a valoração. Acredito que seja possível que coexistam ambas as práticas a partir da conveniência. Assim, se escolho não caracterizar o mundo, poderia também igualmente caracterizá-lA postagem é longa demais. Clique aqui para visualizá-la na íntegra.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

a1ae8e  No.144

File: 1f90d125f75a39b⋯.jpg (96,05 KB, 564x851, 564:851, e8f26d3a6e65371ab06330fce9….jpg)

Thread original 404 em 01/11/2018

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.
Última edição em



File: 106c9f95d0c7aaa⋯.jpg (72,57 KB, 564x730, 282:365, 12113dc63e5489d2b59f51397d….jpg)

fdf08b  No.90[Responder]

Livros recomendados pelo OP e suas notações no seguinte drive:

https://drive.google.com/open?id=11jqPUKJ2mevWGfOlqBLe7_TVJClXHPBY

____________________________
Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

fdf08b  No.102

Ainda incompleto

Se alguém quiser ajudar com a lista de livros mais o post em que os livros apareceram, agradeço.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.
Última edição em



File: abd5269876fa35c⋯.png (90,29 KB, 564x564, 1:1, dawn.png)

c20bca  No.1[Responder]

____________________________
Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

a07966  No.52

Anão, continue arquivando aquele fio, está épico.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.

c20bca  No.55

>>52

Pode deixar, anão. Estou salvando no meu computador o fio original e vou postar os prints atualizados e o arquivo aqui.

Disclaimer: this post and the subject matter and contents thereof - text, media, or otherwise - do not necessarily reflect the views of the 8kun administration.



Excluir postagem [ ]
[]
Voltar [1] Avançar | Catálogo | Nerve Center | Aleatório
[ / / / / / / / / / / / / / ] [ dir / random / 55sync / bleached / fit / k / kind / pdfs / sapphic / sl ]